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Quinta-feira, 26 de Junho de 2003

ENDECHAS A BÁRBARA ESCRAVA


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Black Beauty
 

 

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos.
Que para meus olhos
Fose mais formosa.

 

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os seus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

 

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Para ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde a opinião
Que os louros são belos.

 

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
que trocará a cor.
Leda mensidão,
que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

 

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo,
E, pois nela vivo,
É força que viva.

 

in, «Poemas de Amor» - Antologia de poesia portuguesa - 

«Lírica Completa», Imprensa Nacional, Lisboa - 1986

 

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nescritas às 15:04

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